Relato de Punta del Diablo, o vilarejo mais charmoso do Uruguai

Ao avesso da famosa e badalada Punta del Este, o pequeno vilarejo uruguaio de pescadores e artesãos é um cenário pitoresco que conta com casinhas coloridas de madeira, ruas de chão batido e muita tranquilidade

Uma das ruas centrais de Punta del Diablo e uma amostra do cenário pitoresco do povoado | Foto: Diúlit Oldoni

"Caramba, o que é isso? Parece um cenário de filme do Tarantino!", exclamou meu amigo Jhonny, no exato momento que uma pequena cobra cruzou a rua empoeirada, frente ao carro, enquanto avançávamos pela estrada de chão batido e as casinhas e cabanas tão distintas, que iniciaram esparsas, iam aumentando de número, conforme nos  aproximávamos do mar.

Se na hora, deslumbrado e é impossível não ficar diante de um cenário tão distinto assim concordei com Jhonny, mais tarde pensei que aquilo pouco tinha de Tarantino. "Talvez um faroeste", pensei. Muito embora as construções que víamos não lembravam em nada os velhos saloons e sua ambientação desértica. Para bem da verdade não lembrava arquitetura alguma. Eram únicas, simples, coloridas e criativas em harmonia com as ruas de terra e os estabelecimentos empoeirados e com letreiros antigos, com aquele ar de que pararam no tempo.

Não precisou, no entanto, nem de um dia para eu perceber que o lugar, soma-se aqui seu nome "impactante" (na verdade uma alusão ao seu formato, que por vista aérea se assemelha a um tridente), era na verdade a maior antítese possível para os violentos filmes de Tarantino ou os bang bangs de Leone. Praia porta de entrada ao ensolarado e pacato departamento de Rocha (que conta ainda com outras praias magníficas como La Pedrera, La Paloma e Cabo Polônio), Punta del Diablo é um vilarejo de pescadores e artesãos, lugar tranquilo, pacato, para relaxar e deixar o tempo passar em câmera lenta.

Dicotomias e contrastes

A tranquilidade de Punta del Diablo em um dia de inverno | Foto: Diúlit Oldoni

Localizado entre os free shoppings do Chuy e a sua famosa quase xará Punta del Este (considerada pela revista Forbes, o mais luxuoso balneário da América do Sul), os encantos de Punta del Diablo são um exemplo singelo de um estilo de vida simples e leve que, frente a um mundo corrido e sufocante preza pelo retorno à simplicidade atraindo, sem publicidade e sem luxo, uma quantidade cada vez maior de mochileiros.

Na menos famosa das Puntas não há cassinos, calçadas, shoppings, instalações 5 estrelas, mansões, carros de luxo, nem mesmo prédios ou pavimentação. Nenhum ônibus de excursão para ali. São poucos os turistas e muitos os mochileiros. E embora nada te impeça de visitar e gostar das duas cidades, uma coisa é certa: quem por sonho gostaria de viver em Punta del Este, jamais viveria em Punta del Diablo e vice-versa.



Outra dicotomia a destacar é a mutação que o pequeno vilarejo passa entre a baixa e a alta temporada. Com uma população fixa aproximada de apenas 700 habitantes, com a chegada do verão, Punta del Diablo chega a abrigar mais de 18 mil pessoas, tornando-se um dos balneários mais agitados de todo o país. De dezembro a início de fevereiro, é a época ideal para quem busca mesclar tardes de descanso na praia com festas que vão até o amanhecer. Se durante o dia tudo é sereno, à noite os bares lotam, e mesmo as ruas são tomadas por músicos, dança e gente feliz. Mesmo para quem não gosta de festas tumultuadas, andar pelas ruas abertas ou sentar em um barzinho beira mar é uma experiência para nunca mais esquecer.


Tranquilos e amigáveis, os cachorros estão em toda a parte | Foto: Fábio Becker


No restante do ano, o vilarejo volta a normalidade. Os visitantes são escassos e os negócios e vendedores temporários, bem como os bares e músicos de rua, migram para seus lugares de origem. O resultado é um paraíso esquecido para quem ama momentos de sossego: não há música, não há carros, apenas a imensidão do mar, e à noite, um céu realmente estrelado.

Escolher entre uma das épocas é antes de tudo um estado de espírito, no entanto, com ou sem agito, Punta del Diablo jamais perde seu charme cinematograficamente pitoresco. A vila carrega o clima e o visual, que ao contrário de muitas cidades "turísticas" não é criado para impressionar. Não é um cenário como o que vemos em filmes. É o que chamamos "lugar no fim do mundo". Mas um fim sempre feliz.


A mensagem em um muro de Punta del Diablo é só mais um resumo do sentimento de tranquilidade do lugar | Foto: Fábio Becker

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Dicas Petri

- Como chegar/localização: Punta del Diablo fica a 47 km da cidade de Chuy, fronteira com o estado do Rio grande do Sul. De Montevidéo, são 298 km. Muitas empresas de ônibus passam pelo povoado, como: a Ruta del Sol (www.rutasdelsol.com.uy), COT (www.cot.com.uy), a TTL Turismo (www.ttlturismo.com) e a EGA (www.ega.com.uy) - as duas últimas saem diretamente de algumas capitais brasileiras. Como os horários podem variar, o ideal é sempre se informar nas hospedagens. Outra boa dica é sempre baixar no centro, já que a rodoviária fica um pouco distante;


- Câmbio: Não é fácil encontrar caixas na cidade e o câmbio é bastante ruim. Venha com pesos uruguayos. O ideal - não só para visitar Punta del Diablo, como qualquer outra cidade uruguaia - é trocar dinheiro no Chuy e em Montevidéu, onde estão as mais vantajosas ofertas de câmbio;


- Acomodações: Como relatado, apesar de ser um vilarejo de apenas 700 habitantes, no verão a cidade fica superlotada. O resultado? Dezenas e dezenas de ofertas de hostels e cabanas para todos os gostos.



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